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Até quando insistir com Neymar? – 15/10/2023 – Juca Kfouri



Terminada a Copa no Qatar, a rara leitora e o raro leitor leram aqui que seria bom se na convocação seguinte da seleção brasileira a ausência de Neymar preenchesse uma lacuna.

Os parças socialites dele na mídia reagiram: só um herege, um louco, ou um estúpido abriria mão dos melhores pés entre os jogadores do país.

Até fazia sentido, porque, de fato, como fazer um bom time ao abdicar do único extraclasse nascido no Patropi?

Candidamente, a resposta é: abdicando.

Porque Neymar raramente jogou futebol para o conjunto. Invariavelmente jogou para si mesmo, com exceção dos tempos de Barcelona porque, ali, Xavi, Iniesta e Messi não deixavam.

No PSG foi o que se viu, e ainda para seu azar Mbappé o superou até individualmente.

No Santos, é verdade, ele estava ainda tão bem fisicamente que bordoada alguma o tirava de prumo. E veio a Libertadores.

Tão gratos são os santistas que o perdoam pela traição inominável de ter feito contrato com os catalães antes de disputar a final do Mundial de Clubes da Fifa.

Já pela seleção jamais foi coletivo, e sua grande façanha se resumiu à medalha de ouro olímpica, num time que esteve longe de ser brilhante e que ganhou apenas nos pênaltis da equipe C da Alemanha.

Ao comemorar o título no Maracanã, você há de se lembrar, deu declaração cafajeste, repleta de ressentimento.

Maior artilheiro do time da CBF em jogos oficiais, desses autoenganos que nós, brasileiros, adoramos repetir, lembre atuação dele em jogo decisivo, cascudo, em que tenha luzido.

Não teve culpa em ser alijado da Copa de 2014, virou meme mundial em 2018, ao jogar mais deitado que em pé, e em 2022 até poderia ter levado o Brasil adiante ao fazer o gol contra a Croácia, mas os deuses dos estádios castigam a soberba, a falta de educação e o individualismo.

Achar que Fernando Diniz teria coragem para barrá-lo era pura ingenuidade, pois, se nem Tite, depois da vergonha que Neymar passou nos gramados russos, decidiu enquadrá-lo no Qatar, o interino tem mais mesmo é de se curvar.

Daí que Neymar castra eventuais estrelas como Vinicius Junior.

Castra emocional e taticamente, ao embolar o lado esquerdo e ao exigir, pela mera presença em campo, que a bola passe por ele para tentar driblar um, dois, três, perdê-la e reclamar com a arbitragem.

Mestre Tostāo deve achar um absurdo o que lê aqui, se é que é dos raros leitores porque, repleto de razão, zela pelos craques.

Pior é que nada impede Neymar de calar os críticos nesta terça-feira (17) em Montevidéu pois, mesmo gordo, é capaz de fazer um par de gols como o belíssimo contra os croatas, depois de tentar umas 20 vezes.

Mas ter ficado até o fim no que deveria ser mero treino contra a Venezuela, e foi pesadelo, diminui a confiança depositada em Diniz por muita gente.

Pode apostar em Neymar amarelado ou avermelhado contra os uruguaios, que não ganham da seleção desde 2001. Já são 12 jogos, com, no máximo, três empates.

Será interessante ver quem fica mais com a bola, se os comandados de Loco Bielsa ou os de Diniz, mas o dado será irrelevante se ficar um tempão com Neymar só por ficar, sem nenhuma objetividade ou para cavar faltinhas longe da área.

Felipão cometeu a insanidade de excluir Romário da Copa em 2002. Com o que provou quão produtiva pode ser a loucura.

Terá Carlo Ancelotti a mesma lucidez daqui a um ano?


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