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Jogadoras da Espanha se apresentam por medo de punições – 20/09/2023 – Esporte


Líderes do elenco da seleção espanhola feminina, reunida nesta terça-feira (19) após convocação para os próximos compromissos da equipe, tiveram uma reunião com Victor Francos, chefe da agência estatal de esportes, pouco depois de se apresentarem, para negociar a dispensa de jogadoras que pediram para não serem chamadas.

Das 23 convocadas, 15 fizeram parte do plantel que conquistou a última Copa do Mundo. Entre todas as atletas que fazem parte da lista, 20 assinaram um comunicado dizendo que não estavam satisfeitas com as medidas tomadas pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) após o beijo forçado do agora ex-presidente da entidade Luis Rubiales na jogadora Jenni Hermoso após a final do Mundial.

As atletas foram chamadas para a partida contra a Suécia, na sexta-feira (22), pela Liga das Nações, por Montse Tomé, a nova treinadora da equipe, apesar de terem assinado um comunicado na semana passada no qual afirmavam que não se sentiam seguros sob a atual liderança da RFEF.

Jenni Hermoso acusou federação de tentar dividir e manipular as jogadoras. “Elas foram apanhadas de surpresa e obrigadas a reagir a mais uma situação infeliz causada pelas pessoas que continuam a tomar decisões dentro da RFEF”, criticou a jogadora.

Segundo ela, houve ameaças de consequências jurídicas e econômicas caso elas se recusassem a jogar. A atacante, contudo, não foi chamada por Tomé sob o pretexto de preservá-la.

“Proteger-me de quê? Ou de quem?”, indagou Hermoso. “As jogadoras têm muita clareza de que se trata de mais uma estratégia de divisão e manipulação para nos intimidar e ameaçar com repercussões jurídicas e sanções econômicas.”

De acordo com a Lei do Esporte da Espanha, caso recusem uma convocação, as atletas podem enfrentar multas de até 30 mil euros (R$ 156 mil) e a suspensão de sua licença da federação por um período de dois a 15 anos.

Na reunião com Victor Francos, as jogadoras exigiam de Victor Francos a liberação de suas obrigações com a seleção espanhola por escrito para evitar futuras punições.

O encontro no centro de treinamento se estendeu pelas primeiras horas da madrugada no horário local e não havia uma definição sobre a liberação até a conclusão deste texto.

Muitos países deixam esse tipo de sanção para a Fifa (Federação Internacional de Futebol). As regras da entidade estabelecem que jogadores selecionados para sua seleção nacional são obrigados a ir, e seus clubes, obrigados a liberá-los se o chamado é feito com antecedência suficiente.

Todo o elenco convocado se apresentou ao longo de terça-feira sob o medo das sanções. Olga Carmona, Oihane Hernández, Eva Navarro e Tere Abelleira, assim como Rodríguez, foram escoltadas pela polícia no aeroporto de Madri, de onde seguiram para o complexo de treinos em Valência.

A escolha da cidade foi uma forma encontrada pela RFEF para se afastar do grande número de jornalistas na capital espanhola. O centro de treinamento escolhido, porém, não tem luz artificial, o que impossibilita a realização de atividades no fim da tarde e à noite.

Ao longo do dia, as jogadoras que chegaram ao complexo exibiam semblantes fechados e, com poucas palavras, expressavam frustração.

A goleira Misa Rodríguez, 24, foi enfática. Questionada se estava feliz com sua convocação para defender a seleção espanhola, ela afirmou apenas “não”.

A atacante Alexia Putellas, 29, disse que ela e suas companheiras estavam se sentido “mal”. “De que outra forma seria?”, questionou a jogadora.

A Espanha fará sua estreia na Liga Feminina das Nações contra a Suécia, em Gotemburgo, na sexta-feira, antes de jogar contra a Suíça, em Córdoba, no dia 26 de setembro. A Liga das Nações determinará quais times da Europa se classificarão para os Jogos Olímpicos de Paris em 2024.

Jogadoras da seleção feminina da Suécia disseram que apoiarão as espanholas se elas decidirem boicotar o jogo, afirmou a meio-campista Filippa Angeldahl.

O governo apoia a pressão das jogadoras por mudanças na RFEF, mas também quer que a Espanha se classifique para os Jogos Olímpicos, disse Isabel Rodríguez, porta-voz do governo.

“Queremos que haja mudanças, que sejam rápidas, que a confiança das jogadoras seja restaurada, e, o mais importante, o que queremos é vê-las jogar e vencer”, afirmou.



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